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setembro 07, 2009
Hegel defendeu que o belo não existe na natureza?
Há no mundo universitário consagrado quem sustente que Hegel teorizou que o belo se encontra fora da natureza. É o caso de Raymond Bayer:
«Hegel exclui o belo da natureza. Não há belo abaixo do estádio do espírito absoluto; é somente o espírito oposto a si mesmo: «O belo da Arte é a beleza nascida do Espírito» Mesmo o erro do espírito humano continua a ser superior a toda a criação natural, porque representa a espiritualidade.»(Raymond Bayer, História da Estética, Estampa, pag 305; o bold é nosso)
A leitura atenta de Hegel desmente esta interpretação:
«Nesta parte inicial da Estética, examinámos em primeiro lugar a ideia geral do belo; mostrámos em seguida a sua realização incompleta na natureza, e chegámos em terceiro lugar a ver no ideal a sua realidade adequada.» (Hegel, Estética, O Belo Artístico ou o Ideal, Guimarães Editores, Lisboa, 1964, pag 231)
Ao contrário do que afirma Bayer, Hegel postulou que o belo existe de forma incompleta, na natureza biocósmica. Isto significa: antes de surgir a humanidade, havia mares, montanhas, estrelas e árvores belas, de uma beleza incompleta. A confusão de Raymond Bayer reside nisto: identificar belo artístico com belo natural. O belo artístico é, certamente, criação do espírito humano na sua forma superior (espírito absoluto) mas o belo natural não. Este é criação da ideia absoluta anterior à humanidade e geradora desta (Deus).
O que valem as elites que ensinam nas universidades, se engendram interpretações deformadoras dos grandes pensadores como é o caso? É certo que Hegel foi, com todo o mérito, professor universitário. Mas quantos milhares de doutorados e agregados não há a leccionar Filosofia, Sociologia, Antropologia em todo o mundo, que são pequenos intelectuais sem categoria real nos planos da racionalidade e da criatividade, que construíram o seu sucesso com base em teses marcadas por frases grandiloquentes, cópias de mestres da filosofia misturadas com vulgaridades paralógicas, e aprovadas, com displicência, por amigos que já haviam ascendido a cátedras?
© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)
Publicado por f.limpo.queiroz às setembro 7, 2009 08:51 PM