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agosto 30, 2009

Popper, intérprete medíocre da doutrina de Kant

Karl Popper é apenas um, de uma plêiade de filósofos medianos e de centenas de milhar de professores de filosofia de todo o mundo, que não compreenderam a essência da doutrina de Kant, o idealismo transcendental e físico, em particular a tese de que a matéria – a madeira, a água, o ferro, a árvore, etc – é mera percepção e não ser em si.


Escreveu Popper:


«A esta perspectiva que acabo de delinear, Kant decidiu atribuir a feia – e duplamente enganadora – designação de Idealismo Transcendental. Depressa se arrependeu dessa escolha, na medida em que ela levava as pessoas a crer que ele era um idealista no sentido de negar a realidade das coisas físicas: de afirmar que as coisas físicas eram meras ideias. Kant apressou-se a explicar que se limitara a negar que o espaço e o tempo fossem empíricos e reais – empíricos e reais no sentido em que as coisas e os acontecimentos físicos são empíricos e reais. Mas de nada lhe serviu protestar. O seu estilo difícil selou-lhe o destino. Kant iria ser venerado como pai do Idealismo Alemão.»( Karl Popper, Conjecturas e Refutações, Almedina, pag 246; o bold é nosso)


 Popper afirma pois que, para Kant, os corpos são objectos reais em si mesmos mas Kant diz exactamente o oposto:


«Devíamo-nos, contudo, lembrar de que os corpos não são objectos em si, que nos estejam presentes, mas uma simples manifestação fenoménica, sabe-se lá de que objecto desconhecido; de que o movimento não é efeito de uma causa desconhecida, mas unicamente a manifestação fenoménica da sua influência sobre os nossos sentidos; de que, por consequência, estas duas coisas não são algo fora de nós, mas apenas representações em nós; de que, portanto, não é o movimento da matéria que produz em nós representações, mas que ele próprio (e portanto também a matéria que se torna, assim, cognoscível) é mera representação.» (Kant, Crítica da Razão Pura, Fundação Calouste Gulbenkian, nota das pags 363-364: o bold é nosso)


Assim os corpos são meras representações, isto é, percepções sensoriais tridimensionais. Não são reais em si, ontologicamente. São apenas reais empiricamente, ou seja reais para nós, enquanto a nossa mente, as nossas categorias intelectivas  e os nossos sentidos os produzem.


Popper afirma que para Kant, os objectos como mesa árvore são reais, estão fora de nós, sobrevivem à morte dos sujeitos humanos (visão realista). Mas a leitura atenta de Kant leva-nos a perceber que, segundo este, a árvore e a mesa existem em nós, embora fora do nosso corpo físico, mas dentro da grande redoma do nós que abarca o mundo «exterior», e a perceber que a árvore e a mesa desapareceriam, como «miragens», caso a mente humana se extinguisse (visão idealista).


 É, pois, medíocre a interpretação de Popper sobre a gnosiologia de Kant


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agosto 29, 2009

Astrologia: Sócrates vencedor das eleições em 27 de Setembro

Quando o presidente Cavaco Silva marcou as eleições legislativas em Portugal para 27 de Setembro de 2009, deu automaticamente a vitória ao PS de José Sócrates.

Nesse 27 de Setembro, a Lua estará no signo de Capricórnio, isto é, no espaço de 270º a 300º da eclíptica (trajectória aparente do Sol), praticamente a mesma posição da Lua em 1 de Outubro de 1995, dia da vitória do PS de Guterres nas legislativas em Portugal, sem maioria absoluta.

Por isso, e por outros factores astrais, o PS vencerá as eleições de 27 de Setembro, sem maioria absoluta de deputados, e Sócrates, o inimigo dos professores portugueses e cúmplice das multinacionais farmacêuticas na grande mentira da gripe A que permite vender milhões de vacinas, o maçon amoral que pretende transformar em casamentos as uniões gay confundindo as gerações sobre a supremacia natural do amor heterossexual, manter-se-á primeiro-ministro. Pela vontade dos astros e contra a nossa vontade individual.

Esta nossa previsão, julgamos, é superior às sondagens eleitorais porque se apoia em leis astrais empiricamente comprovadas. Dentro de um mês confirmar-se-á se o que dizemos é ou não certo.

NOTA: À venda aqui, por correio os nossos livros, : «Ciclos Astrológicos na História de Portugal- Os Ciclos de Úrano», 200 páginas (20 euros; «As Repúblicas de 1910-1926 e de 1974-1990, Analogia Histórica, Astronómica e Astrológica- O significado hermético da morte de Francisco Sá Carneiro», 47 páginas (20 euros); «Astrologia y guerra civil de España de 1936-1939» , 89 páginas (17,90 euros), "Os acidentes em Lisboa na Astrologia-Astronomia, Astrology and Accidents in USA", 276 páginas, (29 euros), um autêntico curso de Astrologia Histórica. Basta escrever para o mail abaixo.



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Hegel: O tempo e os sons, irregulares, o «eu» e a uniformidade do compasso

Na «Estética», Hegel deixa claro que o tempo não é uniforme mas, tal como o som, é medido de forma uniforme por um compasso. O que é uniforme é o tempo oficial cronometrado pelos relógios, não a essência do tempo, que é multiforme, irregular.


«Mas a música não pode deixar o tempo nesta indeterminação e indiferenciação; deve, pelo contrário, dar-lhe uma determinação precisa, submetê-lo a um compasso e ordenar a sua sequência segundo as regras deste compasso. (…)


«Podemos deduzir a necessidade de extensões de tempo determinadas pelo facto de o tempo se encontrar nas mais estreitas relações com o simples eu que percebe e deve perceber nos sons um eco da sua interioridade, repousando o tempo como exterioridade, sobre o mesmo princípio que o que anima o eu como base abstracta de toda a interioridade e espiritualidade. Se, portanto, é o eu simples que, como interioridade, se deve objectivar na música, o elemento geral desta objectividade deve ser tratado em conformidade com o princípio desta interioridade. Mas o eu não é a persistência indeterminada e a duração sem base: só consegue ser o que é graças à concentração e ao retorno a si. Depois de se ter extinguido para se recolher em si mesmo, recupera a sua liberdade e é então somente que se torna sentimento de si, etc. (…)


«Mas então intervém um outro regulamento, o do compasso. (…)»


«Mas a satisfação que, graças ao compasso, o eu sente em se encontrar a si mesmo é tanto mais completa quanto a unidade e a uniformidade não são as do tempo nem dos sons como tais, mas pertencem ao eu que as introduz no tempo em vista da sua própria satisfação. Porque, efectivamente, esta abstracta identidade não existe na natureza. Nos seus movimentos, os próprios corpos celestes não observam um compasso uniforme, mas aceleram ou retardam o seu curso, de modo que não percorrem a mesma distância no mesmo intervalo de tempo. O mesmo acontece com a queda dos corpos, os movimentos dos projécteis, e até o animal, no seu andar, correr, saltar, pular, etc, ainda menos calcula o regresso exacto da mesma medida em tempo determinado. Nos casos deste género, o compasso é ainda um produto do espírito, muito mais do que as relações de grandezas de que a arquitectura se serve e nas quais encontraríamos antes analogias da natureza. »(Hegel, Estética, Pintura e Música, Guimarães Editores, pags 220-225; o bold é nosso).


De salientar que é o eu quem impõe o compasso ao tempo e à música para se reconhecer no seu percurso triádico: estar-em-si, sair-de-si e regressar-a-si consciente.


«Em termos mais precisos, podemos dizer que o próprio eu real faz parte do tempo com o qual se confunde, se abstrairmos do conteúdo concreto da consciência; e isto porque na realidade não é mais do que tal movimento vazio que consiste em apresentar-se como um «Outro» e em suprimir essa mudança, conservando-se unicamente a si próprio, em suma, como o eu. O eu existe no tempo e o tempo é o modo de ser do sujeito. Ora, dado que é o tempo, e não a espacialidade, o elemento essencial ao qual o som, do ponto de vista do seu valor musical, deve a sua existência, e que o tempo do som é também o do sujeito, o som, em virtude deste princípio, penetra no eu, apreende-o na sua existência simples e põe-no em movimento pela sucessão rítmica dos instantes do tempo, enquanto que as outras figurações dos sons, como expressão dos sentimentos, completam o efeito produzido pela simples sucessão rítmica no tempo, levando a emoção ao seu mais alto grau e destruindo as últimas resistências que o indivíduo podia ainda opor em se deixar seduzir.» (Hegel, Estética -Pintura e Música, Guimarães Editores, 1962, pag. 211; o bold é nosso).


O eu executa um movimento que sai de si para voltar a si, . É a sua existência dinâmica, no tempo. Podemos dar razão a Heidegger que acusa Hegel «de que se move com a sua exegese do tempo inteiramente na direcção da compreensão vulgar do mesmo.» (Heideger, O Ser e o Tempo, edição espanhola, pag 464)? Não. Para Hegel, o tempo é simultaneamente subjectivo e objectivo. Cremos que não é a concepção vulgar do tempo...


Esta conexão, discernida por Hegel, entre os sons e o tempo, ambos participantes na interioridade do eu, é, deveras, enigmática. Há correntes esotéricas que ligam o ouvido a Saturno, suposto Senhor do Tempo. Será o ouvido o sentido que melhor nos dá a noção do tempo, e não a visão como parece ser crença generalizada?


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agosto 28, 2009

Hegel: Relações do Espaço com a Pintura e Escultura e do Tempo com a Música

Na «Estética»  Hegel desenvolve pensamentos de grande profundidade sobre a relação íntima do espaço com a pintura e a escultura, por um lado, e sobre a relação íntima do tempo com a música, por outro lado.


«As figuras da escultura e da pintura estão justapostas no espaço e formam por essa justaposição uma totalidade real ou aparente. Mas a música não pode produzir sons senão provocando um movimento vibratório em corpos dispostos no espaço. Essas vibrações só dizem respeito à música pela sua sucessão, de maneira que os corpos sensíveis participam da música, não pela sua forma espacial, mas pelos seus movimentos no tempo e pela duração desses movimentos. Ora todo o movimento de um corpo se efectua no espaço, de modo que as figuras da escultura e da pintura, mesmo estando aparentemente em estado de repouso, conservam o direito de representar o movimento; porém, a música não utiliza esta espacialidade para exprimir o movimento, mas serve-se para as suas produções unicamente do tempo durante o qual se efectuam as vibrações de um corpo.


Mas o tempo, como vimos já, não é como o espaço, um lado a lado positivo; é, pelo contrário, uma exterioridade negativa; como supressão do lado a lado, da esquerda e da direita, é punctiforme e, como actividade negativa, é a supressão de tal ponto no tempo e a sua substituição por um outro, que por sua vez é suprimido, para dar lugar a um outro ainda, e assim seguidamente. Na sucessão destes momentos do tempo, cada som particular deixa-se fixar em parte como uma unidade, mas pode também ser posto em relações quantitativas com outros momentos, o que torna o tempo numerável. Por outro lado, no entanto, como o tempo representa o aparecimento e a desaparição ininterrupta destes momentos que, tomados como simples momentos, são abstracções não particularizadas, não diferindo umas das outras, o tempo surge também como uma sequência regular e uma duração indiferenciada.»  (Hegel, Estética, Pintura e Música, Guimarães Editores, pags 220-221; o bold é nosso)


Entre as muitas reflexões profundas do grande Hegel, note-se a do tempo punctiforme: o tempo pode representar-se por um único ponto, cujo conteúdo vai, presumivelmente, mudando a cada fracção de segundo, ao passo que o espaço se representa por linhas, figuras, volumes. Assim, o tempo parece ser a dimensão oculta da realidade que percebemos visualmente.


De salientar a noção do tempo como o suprimir do lado a lado, da relação direita-esquerda. E o facto de, ao contrário de São Tomás de Aquino que define o tempo como o número do movimento – concepção de certo modo irrealista, matemática do tempo, como se a essência deste fosse a numeração – Hegel afirma a autonomia do tempo face à numeração, o que significa que a essência do tempo não é número, mas sucessão e duração.


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agosto 26, 2009

Para Aristóteles, Deus é substância, tema em que São Tomás se contradiz

Aristóteles definiu Deus como um pensamento activo, perfeito, imutável, imóvel, fonte do bem e causa indirecta, passiva, de todo o movimento no universo. E esse pensamento vivo é substância, isto é, a substância primeira imaterial, princípio da perfeição. Todavia, o neoaristotélico medieval SãoTomás de Aquino recusou atribuir a Deus a condição de substância. 


Escreveu Aristóteles:


«E posto que há algo que move sendo ele mesmo imóvel, estando em acto, esse não pode mudar em nenhum sentido. (…) Trata-se de algo que existe necessariamente. E enquanto existe necessariamente é perfeito, e deste modo é princípio. (…)


«De um tal princípio pendem o Universo e a Natureza. E a sua actividade é como a mais perfeita que somos capazes de realizar por um breve intervalo de tempo (ele está sempre em tal estado, o que para nós é impossível), pois a sua actividade é prazer (por isso o estar desperto, a sensação e o pensamento são sumamente prazenteiros e em virtude disto são-no também as esperanças e as recordações). »


«Do que foi dito, resulta evidente, por conseguinte, que há uma certa substância (ousía) eterna e imóvel, e separada das coisas sensíveis. Foi igualmente demonstrado que tal substância não tem em absoluto, tamanho, mas carece de partes e é indivisível.» (Aristóteles, Metafísica, Livro 12, capítulo VII, 1072b-1073a; o bold é nosso).»


São Tomás de Aquino nega que Deus pertença a qualquer género, inclusive ao género substância:


«Artigo 5º


Deus pertence ou não pertence a algum género?


Objecções pelas quais parece que Deus pertence a algum género:


1.      Substância é o ser que subsiste por si mesmo. Isto corresponde sobretudo a Deus. Portanto, Deus pertence ao género da substância. (…)


Resposta às objecções: À primeira há que dizer: A palavra substância não significa somente o que subsiste por si mesmo, pois o que é ser enquanto tal não é género, como se demonstrou. Mas significa a essência a que lhe corresponde ser assim, isto é, ser por si mesma. Sem embargo, o ser não é a sua própria essência. Deste modo, é claro que Deus não pertence ao género da substância.» (Santo Tomás de Aquino, Suma de Teologia, I, Parte I, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, pags 119-120; o bold sem itálico é nosso).


Não é claro, a meu ver, este texto do doutor angélico: a frase «o ser não é a sua própria essência» é equívoca, como equívoca é a consequência «Deste modo, é claro que Deus não pertence ao género da substância». São Tomás joga com um duplo sentido da palavra ser: existência em geral; ente supremo, princípio criador. É certo que a substância é um ser-aí, um ser-algo, além de ser (existir em geral). Mas para fazer Deus escapar da redoma do género substância, que identifica com essência, o doutor angélico afirma – em contradição com outras passagens da Suma – que o ser (Deus) «não é a sua própria essência».


São Tomás usa nos dois sentidos conferidos por Aristóteles, com alguma ambiguidade, a palavra substância (ousía): objecto ou ente singular, único; essência, ou seja, forma comum (eidos), colectiva, a diversas substâncias individuais.


Deus, ser singular, é uma substância espiritual, imóvel e eterna, no dizer de Aristóteles; mas não é substância e não pertence ao género substância para São Tomás . Parece que o erro reside neste último.


Aliás, São Tomás admitiu que o Filho - uma das pessoas constituintes de Deus - é engendrado substancialmente do Pai, isto é, a substância (essência individualizada) do Filho nasce do Pai:


«Segundo o Damasceno, ingénito significa o mesmo que incriado, em um sentido: o substancial. E nisto se diferencia a substância criada da incriada.(...) É assim que não se pode deduzir que o Pai ingénito se distinga do Filho engendrado substancialmente, mas que só há distinção de relação, isto é, enquanto a relação filial não se dá no Pai.» (Santo Tomás de Aquino, Suma de Teología, Tomo I, pag 353).


Não pode haver dúvidas de que o Filho, parte integrante de Deus, possui substância. Como seria possível, pois, que Deus não pertencesse ao género substância?


Afinal, o que é substância, em sentido pleno do termo, isto é, de substância primeira (proté ousía), na doutrina aristotélica? É uma forma individualizada: pela matéria ou não. Deus é a substância incriada (a proté ousía), a forma pura sem matéria, a única substância em que a essência é a sua própria existência.


Pertence pois à espécie substância, sendo embora absolutamente singular e distinto, em grau superior, de todas as outras substâncias.


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agosto 25, 2009

Karl Popper e o ataque incoerente à Dialéctica

 Karl Popper ataca a dialéctica sem a compreender integralmente. Tal como Kant, Popper toma a dialéctica como uma erística, capaz de sair fora da lógica, uma arte sofística de argumentar, uma visão eclética paradoxal e não uma ciência holística e hierarquizadora de géneros, espécies e dos diversos aspectos de cada fenómeno.


Escreveu Popper:


 «A dialéctica (no sentido moderno, isto é, especialmente no sentido em que Hegel usou o termo) é uma teoria que afirma que algo – mais particularmente o pensamento humano – se desenvolve de uma forma caracterizada por aquilo a que se chama a tríade dialéctica: tese, antítese e síntese. (…)»


 «E é quanto basta relativamente ao que se chama tríade dialéctica. Não pode haver grandes dúvidas de que a tríade dialéctica descreve razoavelmente bem determinadas fases da história do pensamento, em especial certos desenvolvimentos de ideias e teorias, bem como dos movimentos sociais que neles se inspiram. Esse desenvolvimento dialéctico pode ser “explicado” demonstrando que se processa em conformidade com o método de ensaio e erro que atrás analisámos. Mas temos de admitir que não é exactamente o mesmo que o desenvolvimento (atrás descrito) de uma teoria por ensaio e erro. A nossa anterior descrição do método de ensaio e erro envolvia apenas uma ideia e a sua crítica, ou, usando a terminologia dos dialécticos, a luta entre uma tese e a sua antítese. Originalmente, não fizemos quaisquer sugestões acerca de um desenvolvimento ulterior, não indicámos que a luta entre uma tese e uma antítese desembocaria numa síntese. Sugerimos antes que a luta entre uma ideia e a sua crítica, ou entre uma tese e uma antítese, conduziria à eliminação da tese (ou talvez da antítese), se esta não se revelasse satisfatória; e que a competição entre teorias só conduziria à adopção de novas teorias se estas existissem em número suficiente e pudessem ser postas à prova .(…)»


 «Temos de ter cuidado, por exemplo, relativamente a uma série de metáforas usadas pelos dialécticos e muitas vezes levadas, infelizmente, demasiado a sério. Um exemplo é a afirmação do dialéctico de que a tese “produz” a sua antítese. Na verdade, é apenas a nossa atitude crítica que produz a antítese, e onde uma tal atitude não esteja presente – o que é muitas vezes o caso – nenhuma antítese se produzirá. Do mesmo modo, temos que ter cuidado para não pensar que é a “luta” entre uma tese e a sua antítese que “produz” uma síntese. »


 «Tendo deste modo observado que as contradições – especialmente, como é óbvio, a contradição entre uma tese e uma antítese, que «produz» um progresso sob a forma de síntese – são extremamente fecundas e constituem, na verdade, as forças motrizes de qualquer progresso do pensamento, os dialécticos concluem – erradamente como veremos – que não há necessidade de evitar essas fecundas contradições. E afirmam mesmo que as contradições não podem ser evitadas, dado que surgem em toda a parte no mundo.»


 «Uma tal afirmação equivale a um ataque contra a chamada “lei da não-contradição” (ou, mais concretamente, contra a “lei da exclusão das contradições”) da lógica tradicional: uma lei que determina que dois enunciados contraditórios nunca podem ser ambos verdadeiros, ou que um enunciado que consista na conjunção de dois enunciados contraditórios deve ser sempre rejeitado como falso por razões puramente lógicas. Fazendo apelo à fecundidade das contradições, os dialécticos afirmam que esta lei da lógica tradicional deve ser rejeitada. E declaram que a dialéctica conduz deste modo a uma nova lógica – uma lógica dialéctica. Assim sendo, a dialéctica, que eu até aqui apresentei como uma doutrina meramente histórica – uma teoria do desenvolvimento histórico do pensamento – revelar-se-ia uma doutrina muito diferente: seria em simultâneo uma teoria lógica e (como veremos) uma teoria geral do mundo.»


 «Estas são afirmações portentosas, mas sem o mínimo fundamento. Não se baseiam, na verdade, em nada melhor do que uma maneira de falar vaga e confusa.»


 «Os dialécticos dizem que as contradições são fecundas, férteis ou produtivas em termos de progresso, e nós admitimos que isso não deixa de ser, em certo sentido, verdadeiro. Será verdadeiro, porém, unicamente na medida em que estejamos dispostos a não tolerar contradições e a modificar qualquer teoria que as envolva. Por outras palavras, determinados a não aceitar nunca uma contradição. É somente em virtude dessa nossa determinação que a crítica, isto é, a indicação de contradições nos induz a modificar as nossas teorias e, nessa medida, a progredir.»


  (Karl Popper, Conjecturas e Refutações, Almedina, Coimbra 2006, pag 419-422; o bold é colocado por nós)


 Popper tem alguma razão neste texto. Mas carece de razão numa parte substancial dele. A interpretação da síntese como um terceiro momento do círculo ou espiral que se desenvolve é uma limitação hegeliana, ao menos de carácter terminológico,  na definição da dialéctica. Nesse ponto, Popper parece certo.


Kierkegaard, por exemplo, negou a existência da síntese circunscrevendo a dialéctica ao Aut/Aut (Ou..Ou) da tese-antítese. Também não parece que a antiga filosofia chinesa, em particular o taoísmo, que divide a Vida e o Cosmos em dois princípios opostos, relativos, o Yang (Luz, Calor, Expansão, Fogo, Masculino) e o Yin (Escuridão, Frio, Contração, Água, Feminino) consagre a síntese (de Hegel) como instância independente no processo dialéctico. E na teoria psicanalítica de Freud, nitidamente dialéctica, discernimos o Ego – o mediador, a síntese, de certo modo - como uma instância não posterior mas simultânea com o Id ou Infra-Ego (tese) e o Super-Ego (antítese)- sem embargo de o Ego preceder geneticamente o Super-Ego. De facto, a síntese – ou chamar-lhe-emos síncrese, neste caso? - pode existir e existe em simultâneo com a tese e a antítese e constitui:


 1)      A mediação ou mistura parcial destas.


 2)      O conjunto das duas. Neste caso, não existiria separada delas ou de uma parte delas, mas englobá-las-ia, seria a soma exacta das duas. Hegel chama a isto o tôdo como unidade dos contrários, não o designa por síntese.


 Parece que Platão admitiu a mediação, o intermédio entre os contrários  – que Hegel chama síntese –mas não o situou isoladamente num momento posterior. A crítica de Popper à tríade é, pois, parcialmente justa no que se refere à tríade diacrónica estabelecida por Hegel mas injusta, errada, no que se refere à tríade sincrónica estabelecida por dialécticos como Lao Tse, Platão, Kierkegaard e muitos outros, também chamada lei da unidade e luta de contrários formulada por Heráclito e Hegel, entre outros.


Popper reconhece aliás, acima, que a luta entre uma ideia e a sua crítica é uma luta entre tese e antítese e que conduz, muitas vezes, à eliminação da tese. Estamos de acordo. É, pois, um movimento dialéctico. O método de ensaio e erro, é ao contrário do que sugere Popper, perfeitamente dialéctico: o ensaio é a antítese da formulação teórica, como o acto é a antítese da potência (na terminologia aristotélica); o erro constatado pelo ensaio é a antítese da formulação teórica original, destrói parcial ou totalmente esta, impõe a sua rectificação ou eliminação. Ao dizer que a dialéctica não impregna o método de ensaio e erro, como seu carácter intrínseco, mas que é algo de «extrínseco» à falsificabilidade, à eliminação indefinida do erro pelo «racionalismo crítico», Popper mostra não compreender a universalidade da dialéctica como lógica multilateral.


 Ademais, Popper deturpa a dialéctica ao dizer que esta nega o princípio da não-contradição ( ou «lei de exclusão das contradições»). É uma absoluta falsidade. Isso é interpretar dialéctica como sofística – como o fazia Kant com as suas antinomias da razão pura que dão lugar ao paradoxo (incoerência do raciocínio como por exemplo: «Deus existe e não existe no mesmo instante e sob o mesmo aspecto»; «2+2 é igual 4 e 2+2 é igual a -4»).


 Popper ignora que «toda a diferença é uma contradição» – a diferença insere-se no princípio do terceiro excluído; exemplo, verde e azul contradizem-se porque azul pertence ao conjunto não verde – e interpreta o termo contradição como erro. lógico, paradoxo, não como realidade multilateral de contrários e contraditórios. Há contradição dentro da lógica (a dialéctica) e contradição fora da lógica, (paralogismo, sofisma, a sofística, o ecletismo paradoxal). Esse é o equívoco de Popper: não distingue estas duas formas de contradição, ao menos no plano teórico.


 A dialéctica autêntica engloba os três princípios da lógica clássica: identidade, não contradição e terceiro excluído. Não se desfaz deles. Não os atropela. Aliás o princípio da não contradição é eminentemente dialéctico: uma coisa não pode ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto duas qualidades ou estados contrários entre si; mas pode ser qualidades ou estados contrários ao mesmo tempo em aspectos diferenciados.


Por exemplo, a dialéctica marxista – note-se que a teoria marxista não é dialéctica em toda a sua extensão, o comunismo mundial final é uma ideia metafísica que foge à lei dialéctica de «um divide-se em dois» (o proletariado divide-se em dois: governantes e governados e isso gera uma nova sociedade de classes desfazendo o comunismo ideal) – diz o seguinte: a burguesia é uma classe progressista no aspecto de combater a classe feudal e, simultaneamente, é uma classe reaccionária no aspecto de combater as reivindicações socialistas revolucionárias do proletariado. Isto respeita perfeitamente o princípio da não contradição: a burguesia é, ao mesmo tempo, uma classe revolucionária, num aspecto, e uma classe reaccionária, noutro aspecto. Não há aqui confusão nenhuma.


 Não restrinjamos a dialéctica ao marxismo. Há muito mais dialéctica para além da visão marxista do mundo.


 Existe, por exemplo, uma contradição – que neste caso assume a forma de contrariedade (termo aristotélico) isto é oposição directamente bipolar como branco/negro e grande/pequeno -  a cada fracção de segundo, entre a força centrífuga do electrão do átomo do hidrogénio e a força centrípeta do núcleo. É essa contradição ou luta de forças contrárias que mantém o átomo uno. Popper seria imbecil se negasse que se trata de uma contradição e, mais ainda, se tivesse a pretensão de suprimi-la.


 A dialéctica impregna a fisiologia humana e a naturopatia (teoria médico-higienista e metodologias práticas) que visa preservá-la: a doença, aguda ou crónica, é uma luta entre a força vital, centrífuga (que actua de dentro para fora) e as toxinas (sais de ácido úrico, sulfúrico; colóides, etc) centrípetas (que se deslocam de fora para dentro e entopem o organismo). Assim a febre é simultaneamente um mal e um bem: um mal, na medida em que gera mal-estar e impede, em regra, as pessoas de se comportarem de forma prazenteira e normal; um bem, na medida em que a crise de suores e urinas carregadas existente na febre, faz sair do corpo, pela pele e pelo aparelho urinário, as substâncias tóxicas, restabelecendo a saúde.


 Bem e mal são contrários entre si mas, neste caso, não há qualquer violação do princípio da não contradição, pois bem e mal na febre aplicam-se a diferentes aspectos da fisiologia humana. Segundo parece, Popper, nem sequer conhecia a visão dialéctica da naturopatia científica neo-hipocrática sobre a saúde e a doença. É natural que não reconhecesse que a luta de contrários – e a lógica multilateral que lhe corresponde – atravessa por completo a natureza física e biocósmica nos seus infinitos aspectos, é a essência desta.


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agosto 24, 2009

A luz não é forma substancial, segundo São Tomás de Aquino, e o calor «é e não é»

Na Suma de Teologia, uma das grandes obras da filosofia perene, Tomás de Aquino sustenta que a qualidade (por exemplo: cor branca)- um dos acidentes, na classificação de Aristóteles - resulta da forma substancial (por exemplo: homem). Nessa óptica, classifica a luz não como forma substancial, substância, mas como acidente, qualidade.


No Tratado da Criação Corpórea, da Suma de Teologia, escreveu Tomás de Aquino:


«Artigo 3


A luz é ou não qualidade?


Objecções pelas quais parece que a luz não é qualidade:


1) Toda a qualidade permanece no sujeito inclusive depois de desaparecer o agente. Exemplo: o calor permanece na água depois de tirá-la do fogo. Mas a luz não permanece no ar uma vez retirado o corpo que despede luz. Por tanto, a luz não é qualidade. (...)


Solução:


...Portanto há que dizer: assim como o calor é uma qualidade activa consequência da forma substancial do fogo, assim também a luz é uma qualidade activa consequência da forma substancial do sol ou de qualquer outro corpo com luz própria, se é que há outro. (...)


Resposta às objecções: 1. À primeira há que dizer: Como a qualidade é consequência da forma substancial, o sujeito comporta-se de maneira distinta ante a recepção da qualidade e a recepção da forma. Pois quando a matéria recebe completamente a forma, também fica firmemente ancorada nela a qualidade que é consequência da forma. Como se a água se convertesse em fogo. Pelo contrário, quando a forma substancial é recebida incompleta, por certa incoacção, então a qualidade permanece algum tempo, mas não sempre. Como a água aquecida que volta ao seu estado natural. Mas a iluminação não é produzida por alguma mudança que se dá na matéria ao receber a forma substancial, como se houvesse alguma incoacção da forma. Por isso a luz não permanece mais do que estando o agente.


3. À terceira há que dizer: Assim como o calor pela sua forma substancial coopera instrumentalmente na produção da forma do fogo, assim também a luz, em virtude dos corpos celestes, coopera instrumentalmente na produção de formas substanciais; e também em fazer que as cores sejam visíveis, enquanto é a qualidade do primeiro corpo sensível.»


(São Tomás de Aquino, Suma de Teología I, parte I, pags 631-632, Biblioteca de Autores Cristianos)


Note-se uma contradição na análise do doutor angélico: acima designa o calor como qualidade da forma substancial fogo e por último atribui forma substancial ao calor. Ou seja, num lado é acidente e no outro substância.


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agosto 22, 2009

A experiência estética não é uma atitude cognitiva? (Crítica de Manuais Escolares -XXXV)

No manual Filosofia 10º ano de Luís Rodrigues lê-se:


«A atitude estética...


b) Não é uma atitude cognitiva (de conhecimento).


A relação com os objectos naturais e artísticos na experiência estética não é motivada primordialmente pela vontade de adquirir e de ampliar conhecimentos.» (Luís Rodrigues, Filosofia 10º ANO, 2º volume, Plátano Editora, pag 70)


A atitude estética não é cognitiva?  Luis Rodrigues, tal como John Hospers, Pedro Galvão, Desidério Murcho e outros, está claramente equivocado nesta matéria.


Toda a experiência estética é conhecimento sensorial ou sensorial-intelectual. Sem ver - isto é conhecer através da visão, obter cognição - um quadro de Rafael ou de Leonardo da Vinci, não há emoção estética àcerca desse quadro. Sem ouvir - isto é conhecer sensorialmente através da audição- os sons de uma música de Mozart, não se experiencia esteticamente esta.


O conceito de cognitivo é deformado por Luís Rodrigues e outros. Há o cognitivo sensorial e o cognitivo intelectual. Não se pode reduzir o cognitivo ao intelectual-racional.


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agosto 21, 2009

Peter Singer não sabe o que é o relativismo

Peter Singer, o renomado teórico da ética, define erroneamente relativismo como o conjunto das morais e opiniões dominantes nas diversas sociedades e não como o conjunto de todas as opiniões de grupo ou classe social existentes no seio de cada sociedade. Para Singer, o relativismo não permitiria, por exemplo, que na Cuba «comunista» de Castro a oposição, que exige eleições livres e o fim da censura e da ditadura do partido único,  tivesse algum quinhão de verdade. Singer interpreta relativismo como ditadura da maioria sociológica no seio de uma sociedade. Ora isto é absolutismo, não relativismo.


 


Escreveu Singer:


«Mas isto levanta um problema: se a moral é relativa, o que há de especial no comunismo? Por que razão haveria alguém de tomar o partido do proletariado, e não o da burguesia?


Engels abordou este problema da única forma possível: abandonando o relativismo em favor de uma tese mais restrita que defendia que a moral de uma sociedade dividida em classes será sempre relativa à classe dominante, embora a moral de uma sociedade sem antagonismos sociais pudesse ser «realmente humana». Aqui já não há relativismo , mas é ainda o marxismo que, de uma forma meio confusa, impulsiona muitas ideias relativistas vagas. (..)


 


Pior ainda, o relativista não consegue explicar satisfatoriamente o inconformista. Se «A escravatura é um mal» significa «A minha sociedade rejeita a escravatura», nesse caso qualquer pessoa que viva numa sociedade que a aceita está a cometer um erro factual ao dizer que a escravatura é um mal. Uma sondagem poderia então demonstrar o erro de um juízo ético. Os candidatos a reformadores ficam numa posição terrível: quando pretendem modificar as perspectivas éticas dos seus concidadãos, estão necessariamente errados; só quando conseguem conquistar a maioria da sociedade passam as suas opiniões a estar certas.


Estas dificuldades são suficientes para afundar o relativismo ético; o subjectivismo ético evita pelo menos que se tornem absurdos os esforços valorosos dos pretendentes a reformadores, pois faz os juízos éticos dependerem da aprovação ou desaprovação da pessoa que faz esse juízo, e não da sociedade em que essa pessoa se insere. »(Peter Singer, Ética prática, Gradiva, pags 21-23; o bold é nosso)


 


Ao dizer que Engels abandonou o relativismo, Singer equivoca-se: uma das características do materialismo histórico marxista é o seu relativismo, pois desvenda que em cada sociedade não existe uma moral única mas , pelo menos, duas morais em luta entre si, cada uma delas relativa a uma classe, a dominante e a dominada. Relativismo é isto e não a uniformização no seio da mesma sociedade nacional.


 


Singer padece de  uma confusão teórica completa sobre o que é relativismo - doutrina que diz que há diferentes verdades ou interpretações da verdade no seio de cada sociedade, consoante os grupos sociais, culturais, políticos, religiosos, etc, e também no seio da comunidade internacional- confusão que já denunciamos existir também em James Rachels e nos manuais de filosofia para o 10º ano em Portugal de Desidério Murcho, Pedro Galvão, Luís Rodrigues e muitos outros.


 


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agosto 16, 2009

Platão e a dialéctica do finito e do infinito

No Filebo, importante diálogo, Platão estabelece três géneros originais – o infinito, equiparado ao prazer sensual, o finito, equiparado ao prazer espiritual da sabedoria e da medida, e a mistura. Assim, ontologicamente, a sensualidade assemelha-se ao caos, ao ilimitado, que não tem proporções definidas, ao passo que a ciência e a inteligência assemelham-se ao ser, ao limitado e dotado de proporção (número).


 


SÓCRATES- Não é nesta mistura de infinito e de finito que nascem as estações e tudo o que nos parece belo no universo?


PROTARCO- Sem dúvida.


SÓCRATES- E há mil outras coisas que não cito, como a beleza e a força com a saúde, e muitas qualidades admiráveis na alma. Com efeito, meu belo Filebo, a deusa, vendo a violência e a maldade universal que provêm do facto de que os homens não põem limites aos seus prazeres e à sua gula, estabeleceu a lei e a ordem, que contêm um limite. Tu pretendes que ela fez mal. Pelo contrário, eu digo que é a nossa salvação. E tu, Protarco, que dizes? 


PROTARCO- Estou inteiramente de acordo contigo, Sócrates.


SÓCRATES- Estas são as três classes de que eu devia falar, se bem me compreendes.


PROTARCO- Sim, creio compreender-te. Parece-me que dizes que o infinito é uma classe e o finito uma segunda classe nas coisas existentes, mas não entendo bem qual é a terceira.


SÓCRATES- É porque, admirável rapaz, ficaste confundido com a quantidade das produções da terceira. Contudo, o infinito também apresenta muitas espécies, mas como todas elas tinham a marca do mais e do menos, pareceram-nos um único género.


PROTARCO- É verdade.


SÓCRATES- Quanto ao finito, também não contestámos que continha muitas espécies nem que havia um da sua natureza.


PROTARCO- Como teríamos podido contestar?


SÓCRATES- De maneira nenhuma. Quanto à terceira classe, penso que incluo nela tudo o que saiu das primeiras duas, tudo o que vem à existência sob o efeito da medida e do finito.


(Platão, Filebo, XIII parte; o bold é nosso)


 


A geração faz-se, pois, a partir dos contrários finito e infinito, segundo Platão. É uma visão eminentemente dialética.


 


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agosto 13, 2009

11 e 12 de Agosto: Ana Jorge e a Burla da vacinacao,

Em 11 e 12 de 2007, emanam entes e acontecimentos cujos nomes e idiossincrasias evocam, aberta ou subliminarmente, as ideias e nomes de Ana (Ana Jorge, Adriano Encarnaçáo):

1) Em 11 de Agosto, Ana Jorge, ministra da Saude portuguesa, do PS, fala em conferência de imprensa, dos "riscos de propagacao da gripe A (vírus H1N1)", colaborando assim na monstruosa farsa que é a campanha internacional das farmacêuticas e classe médica adjacente para levar milhöes de pessoas a vacinar-se (infectar o sangue) e os Estados a desembolsar milhöes para combater esta pseudo pandemia.

O negócio é täo desonesto e täo vital para o enriquecimento de uma fracçao da burgiuesia internacional que partidos de esquerda como o Bloco de Esquerda e o PCP, em Portugal, nem sequer têm a coragem de denunciar isto. Francisco Louçá, do BE, recebeu há anos um dossier sobre os males da vacinacao obrigatória - uma verdadeira prática de tortura encapotada - mas nunca quis levantar a questäo no parlamento poretuguês. Louçá é cúmplice desta medicina anti sintomática institucional que intoxica as populacoes com medicamentos para que o ritmo de trabalho da sociedade industrial se mantenha...O Partido Ecologista Os Verdes, aliado do PCP, tamb«em se cala, tal como a revista Proteste/Deco da maior associaçáo de defesa de consumidores em Portugal, o que prova que esta democracia liberal «e em certos aspectos uma pseudodemocracia

2) Em 11 de Agosto, Adriano Encarnaçáo (evoca:Ana), advogado, fala num telejornal portuguès sobre a responsabilidade criminal dos que propagarem intencionalmente a gripe A.

Isto no dia em que o Di«ario de Noticias publica um artigo de Jose Socrates, primeiro ministro social-liberal que hierarquiza a sociedade portuguesa, demarcando-se da direita tradicional PSD e CDS. O simples facto de o PS ter anunciado o seu programa politico a 29 de Julho converte-o em vencedor das eleiçóes de 27 de Setembro pr«oximo - as leis astronomicas ignoradas pelo establishement politico funcionam, o destino esta escrito.

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agosto 10, 2009

Do acaso

O acaso é o não regido por leis conhecidas e o factor de inflexão ou variabilidade do efeito dessas leis.


Mas a pergunta eleva-se: é o acaso uma realidade ontológica ou apenas uma aparência? É real ou irreal?


O acaso transforma o determinismo rigoroso em regularidade estatística. É o mais anti absolutista dos factores na máquina mundi. É um ingrediente da ideia de liberdade.


Para o fatalismo, o acaso é irreal, não entra na esfera do ser. Não há acaso, tudo está rigorosamente interligado pela necessidade essencial e acidental.


Uma certa percentagem de acaso entra nas malhas do determinismo concebido como princípio segundo o qual nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos.


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agosto 03, 2009

Nietzsche, admirador do racionalismo francês

Frederico Nietzsche (1844-1900), o filósofo maldito, sempre nutriu uma especial admiração pela cultura da França, o país do humanismo por excelência: a França é a pátria europeia do cristianismo, depois é a pátria do humanismo filosófico, em terceiro lugar o berço da revolução de 1789-1799 e do humanismo político e social contemporâneo.


«No fundo é a um pequeno número de velhos franceses que regresso sempre: creio só na cultura francesa e tenho por equívoco tudo quanto na Europa se chame «cultura», para não falar de «cultura alemã».. Os poucos casos de alta cultura que na Alemanha encontrei, eram todos de origem francesa, e mais que todos a senhora Cosima Wagner, de longe a voz mais elevada em matéria de gosto que jamais ouvi. Se leio, se amo Pascal, como a vítima mais instrutiva do cristianismo, gradualmente assassinado, primeiro no corpo e logo no espírito, como lógico resultado dessa horrível forma de crueldade humana; se tenho no espírito, e, quem sabe?, também no corpo, alguma coisa da audácia de Montaigne; se o meu gosto de artista toma sob a sua protecção, não sem cólera, perante um género bárbaro como Shakespeare, os nomes de Moliére, Corneille e Racine; tudo isso não impede que, para mim, os franceses mais recentes constituam uma sociedade encantadora. Não vejo de modo nenhum em que século tantos psicólogos tão interessantes e, ao mesmo tempo, tão subtis poderiam encontrar-se como em Paris, nos nossos dias: tomo como exemplos, porque o número deles não é pequeno – Paul Bourget, Pierre Loty, Gyp, Meilhac, Anatole France, Jules Lemaitre, ou, para mencionar um dos de mais forte garra, autêntico latino, a que sou particularmente afeiçoado, Guy de Maupassant. Prefiro esta geração, seja dito entre nós, às dos seus grandes mestres, que foram estragados pela filosofia alemã (Taine, por exemplo, estragado pela leitura de Hegel, à qual deve o ter-se equivocado na compreensão dos grandes homens e das grandes épocas). Onde chega a Alemanha, corrompe-se a cultura. Só a guerra «salvou» o espírito em França.» (Nietzsche, Ecce Homo, Guimarães e Cª  Editores, pags 56-57; o bold é nosso)


Contra-revolucionário, Nietzsche está longe de ser um espírito geométrico do tipo do racionalismo alemão, personificado em Kant ou Hegel. Constituído por uma rede de finas intuições psicológicas, o pensamento de Nietzsche é ainda um pensamento romântico, de um romantismo socialmente às avessas porque a liberdade do filósofo e da elite de aristocratas se vira contra a universalização da liberdade individual.


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agosto 02, 2009

1 e 2 de Agosto: Último governador de Cabo Verde, Anabela do Cabo Morais

Em  1 e 2 de Agosto de 2009,  elevam-se  entes e acontecimentos que evocam, aberta ou subliminarmente, as ideias e nomes de Cabo    (Último governador de Cabo Verde, Anabela do Cabo Morais): 

 

2) Em 1  de Agosto, o último governador português de Cabo Verde e ex-governador de Macau, general António Adriano Lopes dos Santos, falece aos 92 anos.

 

Diz a Lusa: António Adriano Lopes dos Santos foi um general da arma de Engenharia e ocupou altos postos militares antes e depois da Revolução de Abril de 1974.

Governador de distrito em Moçambique de 1959 a 1962, foi governador e chefe de guarnição militar em Macau entre 1962 e 1966 e segundo comandante militar e comandante operacional adjunto do comando-chefe da Guiné, entre 1968 e 1970.

 

2) Em 2 de Agosto, Anabela do Cabo Morais, licenciada em Psicologia e candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lagoa, sul de Portugal, completa 35 anos de idade.

 

 

NOTA: À venda aqui, por correio os nossos livros,  : «Ciclos Astrológicos na História de Portugal- Os Ciclos de Úrano», 200 páginas (20 euros; «As Repúblicas de 1910-1926 e de 1974-1990, Analogia Histórica, Astronómica e Astrológica- O significado hermético da morte de Francisco Sá Carneiro», 47 páginas (20 euros); «Astrologia y guerra civil de España de 1936-1939» , 89 páginas (17,90 euros),  "Os acidentes em Lisboa na Astrologia-Astronomia, Astrology and Accidents in USA", 276 páginas, (29 euros), um autêntico curso de Astrologia Histórica. Basta escrever para o mail abaixo.

 

 
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