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maio 09, 2009

8 e 9 de Maio: Paulo Portas em Famalicão, Miguel Portas no Porto

Em 8 e 9 de Maio de 2009, espargem-se entes e acontecimentos cujos nomes e idiossincrasias evocam, aberta ou subliminarmente, as ideias e nomes de Porta (Paulo Portas, Miguel Portas):

1) Em 8 de Maio, Paulo Portas discursa ante 600 militantes do CDS dizendo, a propósito dos ataques de moradores à PSP no Bairro da Belavista de Setúbal, que «não é aceitável que a polícia seja atacada por grupos organizados com cócteles molotov».

2) Em 8 de Maio, Miguel Portas, cabeça de lista às eleições europeias, discursa em comício do Bloco de Esquerda no Porto. Não explica por que razão o principal autor dos insultos a Vital Moreira na manifestação do 1º de Maio em Lisboa foi, segundo as imagens da TV, Délio Nunes, ou Délio Figueiredo, conhecido como "O Albino",o número 5 da lista de candidatos do Bloco de Esquerda de Coimbra, às legislativas.

O blog www.doportugalprofundo.blogspot.com narra a aparente conspiração entre o PS, o BE e Carvalho da Silva para exaltar a figura de Vital Moreira e fazer o PCP pagar as favas: Contemos o incidente de Vital Moreira na manifestação da CGTP do 1.º de Maio de 2009 de outro modo: com factos, perguntas e conclusão. Primeiro, os factos, com base nas notícias e no video da RTP, e perguntas. Depois, a conclusão devida.


1. Para celebrar o 1.º de Maio de 2009, o cabeça de lista, Vital Moreira, e outros candidatos às próximas eleições europeias pelo PS vão apresentar cumprimentos à direcção da CGTP antes do início da manifestação desta, que parte do Martim Moniz, e decidem participar na manifestação da UGT que parte dos Restauradores, também na capital. Para tanto, de acordo com o programa do PS ( combinam encontrar-se no Rossio - para evitar qualquer incidente que pudesse resultar da presença do ex-militante comunista Vital Moreira numa manifestação da central sindical).

2. Por motivo não explicado, Carvalho da Silva e os outros dirigentes da CGTP não vão ao Rossio ao encontro dos socialistas - vai lá apenas Carlos Trindade da tendência socialista da central. Estava previsto que fosse só Carlos Trindade?

3. Vital Moreira, Ana Gomes e outros dirigentes, entre os quais avulta o soarista Vítor Ramalho, deslocam-se ao ninho da concentração dos manifestantes da CGTP, que antes terão decidido, e combinado, evitar. Terão combinado que Vital iria ao local de início da manifestação da central sindical de tendência comunista? Ou os socialistas terão ido sem informar a CGTP?

4. Os dirigentes da Central não destacam nenhuma segurança para proteger Vital e os socialistas de quaisquer incidentes*!... Cometeriam os socialistas a deselegância de aparecer naquele local sem serem convidados para aí? E os dirigentes de uma organização tão experimentada e meticulosa, sabendo da vinda dos socialistas - se souberam - não prepararam um grupo de militantes para garantir a segurança de Vital e comitiva e evitar incidentes?...

5. Vital e os outros socialistas cumprimentam os dirigentes da CGTP, sem qualquer problema. Mas põem-se à testa da manifestação da CGTP e ouvem, então, bocas dos manifestantes. Vital, nervoso, sob a capa da fleuma universitária, precipita-se e, numa declaração denunciada, afirma que está a ter a sua "Marinha Grande", aludindo às fortes agressões que Mário Soares recebeu na Marinha Grande em 14-1-1986, durante a sua primeira campanha presidencial...

6. Identificado por um comentador do 5 Dias, e num post do Tiago Mota Saraiva, como um dos participantes da mesa de um colóquio de campanha do Bloco de Esquerda em Coimbra - ao lado de Boaventura Sousa Santos... -, um «rapaz louro», a que chamamos o Capacete Verde deste caso, muito enervado, atravessa-se na frente de Vital, insulta-o em altos berros e provoca a exaltação de mais participantes na manifestação. O «rapaz louro» da manifestação do 1.º de Maio será o mesmo da campanha do Bloco?

O mesmo Capacete Verde em conferência do Bloco de Esquerda?
7. Pelo que se vê no video da RTP (previamente avisada do assunto...), alguns manifestantes aproximam-se e rodeiam os dirigentes socialistas, enquanto estes teimam, em passo acelerado, em caminhar na frente da manifestação. Ouvem apupos e bocas («vai-te embora», «traidor»...), mas não se vê qualquer agressão, muito menos o que a RTP-1 reportou, conforme se pode ouvir na voz da pivot Alberta Fernandes: «Vital Moreira foi, de facto, agredido com pontapés, murros e encontrões» (sic). Terá sido Vital mesmo agredido fisicamente? Em que hospital recebeu tratamento desses "pontapés" e "murros" que lhe deixariam indeléveis marcas?

8. Além de outros, numa orquestra ensaiada e afinada, também ouvi a TSF, noticiar o incidente, referindo as agressões (?) que Vital Moreira teria sofrido. Existe um desfasamento objectivo entre os relatos do caso na RTP e TSF e a realidade: como se a realidade não encaixasse no script.

9. Na sequência do incidente, o PS exige desculpas dos comunistas. O primeiro-ministro José Sócrates, que processa sistematicamente cidadãos por difamação, justificou em declarações no dia seguinte, 2-5-2009, essa exigência de desculpas com a alegação de que o incidente com Vital tinha sido perpetrado por "militantes do Partido Comunista". Terá Sócrates visto o cartão dos supostos agressores? Terão sido identificados pela Polícia? Ou vinha num relatório do SIS? Ou é simplesmente uma denúncia sem fundamento?

10. O PC não pediu desculpa. Mas o líder da CGTP/Intersindical, doutor Carvalho da Silva, segundo o Público de 1-5-2009, justificou o incidente, admitindo os factos (?) imputados e a culpa em vez de responsabilizar a provocação socialista: "Estamos às portas das campanhas eleitorais e estão aqui trabalhadores em grande sofrimento"... Conforme notou o André Azevedo Alves no Insurgente: "Carvalho da Silva ajuda PS". Porquê?


É o leitor quem tem de juntar os pontos dos factos e das perguntas. Aqui só apresentamos a conclusão devida. Em função destes factos, e da história anterior, esta é a hora oportuna de o PC substituir Carvalho da Silva na direcção da CGTP, com o motivo da sua justificação trauliteira, dificultando-lhe, assim, a aliança pós-socratina com o PS meta-sistémico e o Bloco de Esquerda.

Uma vez mais se vê que o (pseudo) esquerdismo, neste caso protagonizado por um dirigente do Bloco de Esquerda - portanto, um caso de provocação com efeitos mediáticos estudados - faz o jogo da (social) direita, neste caso o governo "socialista" de Sócrates e o seu candidato Vital Moreira., criando uma onda de solidariedade com o suposto «agredido» onda que os manipuladores da imprensa (José Manuel Fernandes de O Público, Alberta Matos Fernandes da SIC; etc) aproveitam.


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Publicado por f.limpo.queiroz às maio 9, 2009 08:02 PM

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