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abril 04, 2009
Contradições de Thomas Nagel: A filosofia não assenta na observação?
A caracterização da filosofia é feita por Thomas Nagel da seguinte maneira:
«Escreve-se àcerca destes problemas desde há milhares de anos, mas a matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele, e não de escritos do passado. (...)»
«A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações, nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova»
(Thomas Nagel, Que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à Filosofia, Gradiva, pag 8).
Há, neste texto, uma contradição: por um lado, diz, correctamente, que «a matéria-prima da filosofia vem directamente do mundo» (através da percepção empírica, da observação, é óbvio); por outro lado, diz, erradamente, que «a filosofia não assenta na observação, mas apenas no pensamento.» Gostaríamos de saber como haveria filosofia em torno do aborto se não houvesse observação das várias fases da gravidez feminina, do aspecto, tamanho e reacções do feto no ventre, etc. E como haveria uma filosofia apologista do capitalismo e outra apologista do socialismo, se não houvesse observação das sociedades, do modo de vida dos capitalistas liberais, dos operários, dos burocratas comunistas, dos mercados, dos bairros, da escala de salários, etc?
Além do mais, ao contrário do que sustenta Nagel, a filosofia tem métodos formais de prova: os princípios da lógica formal aristotélica; as leis da dialética. Não falo da lógica proposicional, uma pseudociência do pensamento com numerosas lacunas.
O corte brutal entre filosofia e ciência operado por Nagel prova que este não compreende a conversão dialética de uma na outra. Uma tese científica - exemplo: a molécula da água tem dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio - pode dar lugar a uma questão de filosofia - exemplo: Como se chegou à conclusão que a relação é 2-1 entre o hidrogénio e o oxigénio da molécula de água, se é impossível ver o átomo?.
Elevar um Nagel a Prémio Nobel foi, seguramente, um artifício de alguns, o triunfo do lobby da superficialidade universitária norte-americana no campo filosófico.
Nota: No Centro de Formação Margens do Guadiana, com sede na Escola Secundária com 3º Ciclo Diogo de Gouveia, R. Luís de Camões, 708-508 BEJA (telefone: 284 328 063), estão abertas as inscrições para a acção de formação para professores de filosofia (Grupo 410) «A teoria geral dos valores e a Ética, na perspectiva do método dialéctico», equivalente a dois créditos, 50 horas de duração (50HP), CCPFC/ACC 52326/08 CF. O formador é o autor deste blog.
© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)
Publicado por f.limpo.queiroz às abril 4, 2009 10:29 AM