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dezembro 07, 2008

Confundir a Indução com a Dedução (Crítica de Manuais Escolares)


No Manual português «Filosofia 10º ano» de Luís Rodrigues lê-se:

«Um argumento indutivo é válido quando é improvável (ou muito pouco provável) , mas não impossível que as suas premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.»

«Consideremos o seguinte argumento:

Todas as pessoas que comeram no restaurante Zodíaco ontem à moite ficaram doentes.

Logo, a comida estava estragada.

Trata-se de um bom argumento indutivo.» ( Filosofia, Volume 1, Luís Rodrigues, Plátano Editora, pag 54-55).

Crítica: definir o raciocínio indutivo como aquele em que é bastante improvável que sendo as premissas verdadeiras a conclusão seja falsa é sinal de uma certa vacuidade intelectual; esta definição nebulosa também se pode aplicar ao raciocínio de analogia.

E o exemplo referente ao restaurante Zodíaco parece ser uma dedução e não uma indução. Vejamos o corpo total dessa dedução, desocultando a premissa oculta :

Todas as pessoas que ficam doentes após comer num restaurante é por ingerir comida estragada.

Todas as pessoas que comeram no restaurante Zodíaco ontem à noite ficaram doentes.

Logo, a comida estava estragada.

Vê-se pois, uma vez mais, que os manuais de filosofia no ensino secundário em Portugal - a maior parte dos quais gerados pelos parafilósofos analíticos da Sociedade Portuguesa de Filosofia, lobby poderoso no mundo editorial - abundam em erros que os professores criteriosos devem, inteligentemente, desmontar nas aulas.

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

Publicado por f.limpo.queiroz às dezembro 7, 2008 03:54 PM

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