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agosto 03, 2008

O silogismo disjuntivo e a grande mentira da lógica proposicional

De acordo com a lógica proposicional, um «modo válido» do silogismo disjuntivo é:

p V q
~ p
Logo, q

(Nota, lê-se: p ou q; não p; portanto q).

Exemplo:

Ou é português ou é espanhol.
Não é português.
Logo, é espanhol.

Este é um exemplo que confirma a estrutura formal enunciada. Trata-se de uma disjunção inclusiva - não se iludam os nossos leitores: a disjunção inclusiva é aquela em que o sujeito é comum aos dois termos da primeira premissa, concretamente neste caso: «Aquela pessoa ou é português ou é espanhol.». Mas há muitos contra-exemplos, como este, de disjunção inclusiva:

Ou é português ou é portuense.
Não é português.
Logo, é portuense.


Como portuense - habitante do Porto, cidade do norte de Portugal - está, em regra, incluído em português, é ilógico dizer, em regra, que, não sendo português, é portuense. Está, portanto, errada a estrutura formal do silogismo disjuntivo acima exposta. Está errada a lógica proposicional que reduz as proposições a uma simples letra ( exemplo: "ou é português" representa-se pela letra p) sem ter em conta o conteúdo interno de cada proposição.


A fórmula pvq, não p, logo q, só é válida se o nome predicativo do sujeito do antecedente (primeiro termo) não englobar - isto é, for extrínseco a.. - o nome predicativo do subsequente (segundo termo) da primeira premissa.

NÃO HÁ FALÁCIA NA AFIRMAÇÃO DO SEGUNDO MEMBRO DA DISJUNÇÃO


Segundo a lógica proposicional, é «inválido» o seguinte esquema de silogismo disjuntivo que, na segunda premissa, afirma o consequente da primeira:


a V b
b
Logo, ~ a


De facto, isto não é, em regra, uma falácia. Vejamos um exemplo:

Ou é português ou é espanhol.
É espanhol.
Logo, não é português.

Este raciocínio não é uma falácia porque o conteúdos do antecedente (primeiro termo) e do subsequente (segundo termo) são extrinsecos entre si. Seria uma falácia no caso seguinte:

Ou é a Lua ou é um satélite.
É um satélite.
Logo, não é Lua.


Este raciocínio é falácia porque há uma relação de inclusão do antecedente no subsequente da primeira premissa: a Lua é um dos satélites existentes no cosmos.

Vemos, pois, que a mesma estrutura formal proposicional de um silogismo disjuntivo (disjunção inclusiva)- neste caso: a v b, a , logo não a - é válida nuns casos e inválida noutros, não constituindo regra geral. Desmorona-se, portanto, o edifício da lógica proposicional, com as suas falsas tabelas de verdade, erguidas no nevoeiro do abstracto.


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f.limpo.queiroz@sapo.pt


© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

Publicado por f.limpo.queiroz às agosto 3, 2008 11:28 AM

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