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julho 06, 2008
Existem determinismo "duro" e determinismo "moderado"? (Crítica de Manuais Escolares)
Um dos erros comuns a todos os manuais de Filosofia do 10º ano adoptados em Portugal - inclusive no manual de que é co-autor Desidério Murcho, o tal "pensador" que, com a habitual superficialidade que lhe é intrínseca, troça de Heidegger e das "filosofias do Ser" numa coluna no "Público" às 3ª feiras - é distinguir entre determinismo duro ou radical e determinismo moderado.
De facto, esta diferença não existe: há apenas determinismo, igual em intensidade, somente diferindo no campo de aplicação.
Assim, o determinismo "duro" é o determinismo sem livre-arbítrio. Mas ao contrário do que os autores de manuais em voga (Luis Rodrigues, Desidério Murcho, Aires Almeida, Pedro Galvão, Pedro Madeira, Amândio Fontoura, Catarina Pires, etc) sustentam, determinismo radical é diferente de fatalismo e não conduz ao fatalismo.
Isto porque os carris do deterninismo são relativamente largos e não excluem a possibilidade de descarrilamento de um "comboio" de acontecimentos, devido ao acaso que acompanha sempre o determinismo. O acaso é o «livre-arbítrio» possível da natureza, que introduz carácter aleatório nos factos encadeados entre si pelos fios do determinismo.
Exemplo: num mundo sem livre-arbítrio, uma trovoada intensa desencadeia-se sobre uma região; a queda de um raio, apesar de obedecer ao determinismo, tem algo de aleatório pois pode matar ou não um pastor que está no campo com as suas ovelhas; a morte ou não do pastor inflectirá, num sentido ou noutro, o destino da família do pastor, das ovelhas, etc. Assim,mesmo num mundo sem livre-arbítrio, não há destino absolutamente fixado (fatalismo). Este supõe, simultaneamente, a inexistência simultânea do livre-arbítrio e do acaso.
Por outro lado, o que os autores classificam de determinismo moderado - expressão ambígua - é apenas o determinismo coexistindo com o livre-arbítrio dos homens e animais.
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Publicado por f.limpo.queiroz às julho 6, 2008 08:24 PM