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junho 07, 2008

É absurdo dizer que todas as verdades são relativas?

O Dicionário Escolar da Plátano Editora, disponível na internet, define deste modo o argumento de redução ao absurdo:

redução ao absurdo

"Um argumento com a seguinte forma: "P; de P segue-se um absurdo; logo, não P". Por exemplo: "Eu não existo; mas se não existo, não posso estar a pensar isto, o que é falso, dado que estou evidentemente a pensar; logo, eu existo". O absurdo que se segue da primeira premissa pode ser uma contradição com a forma "Q e não Q" — e na lógica formal tem de ser uma contradição. Mas na argumentação informal o absurdo pode ser apenas uma falsidade evidente, ou uma afirmação que de algum modo contradiz a primeira premissa: "Todas as verdades são relativas; mas isto é absurdo porque nesse caso essa mesma verdade seria relativa e, se for relativa, nem todas as verdades são relativas; logo, nem todas as verdades são relativas". D.M. (o bold é de nossa autoria)

Na verdade, pode suceder que todas as verdades sejam relativas, isto é, variem, em quantidade ou qualidade, na sua relação com coisas, ideias, juízos. Quem pode provar a existência do absoluto? É uma abstracção. Se tudo se move e se transforma, onde está o absoluto? É como a fotografia: fixa a forma de um rosto num dado instante mas 30 anos depois esse rosto transformou-se a ponto de não ser reconhecível na foto inicial.

Dizer que todas as verdades são relativas não contém nenhum absurdo. A existência de Deus como espírito universal sem corpo físico é relativa: Deus pode existir para os homens mas não para o mundo físico- e teríamos assim conciliado o espiritualismo e o materialismo. A existência da matéria é relativa: ela pode existir para a humanidade, que a percepciona sobretudo através da sensação de duro-mole, mas pode não existir para uma raça extraterrestre que a trespasse com a facilidade com que atravessamos a luz a cada momento -e teríamos assim conciliado o realismo e o idealismo..
A própria matemática pode ser relativa: quem garante que a operação 22+22 igual a 44 é real noutra dimensão e para outra raça cósmica? Porque não poderá haver uma raça que reduza todas as operações matemáticas a sete ou dez números apenas e exclua o infinito?

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

Publicado por f.limpo.queiroz às junho 7, 2008 11:49 AM

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