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junho 07, 2008
A dificuldade em definir fenomenologia como essência geral
O "Dicionário Escolar de Filosofia" da Plátano Editora define deste modo fenomenologia:
fenomenologia
«Termo pelo qual é designado o movimento filosófico surgido a partir da obra de Edmund Husserl (1859-1938) e que tem por objectivo principal a investigação e a descrição dos fenómenos (ver fenómeno) tal como ocorrem na consciência, independentemente de quaisquer preconceitos, pressupostos ou teorias explicativas. É possível detectar pelo menos quatro tendências principais neste movimento: a fenomenologia realista, que põe ênfase na descrição das essências (ver essência) universais (Nicolai Hartman, Max Scheler); a fenomenologia constitutiva, que procura dar conta dos objectos em termos da consciência que temos deles (Dorion Cairns, Aron Gurwitsch); a fenomenologia existencial (ver existência), que realça a existência humana no mundo (Hannah Arendt, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty); e a fenomenologia hermenêutica (ver hermenêutica), que realça o papel da interpretação em todas as esferas da vida (Hans-Georg Gadamer, Paul Ricoeur).» AN
Há que notar que não se encontra aqui uma definição geral de fenomenologia mas várias definições, quase só nominais, entre as quais não se vislumbra claramente o denominador comum..Ademais, o termo fenomenologia realista é contraditório, no sentido ontológico: a fenomenologia supõe uma ontologia que não é nem realista nem idealista, mas um "intermédio" entre ambos. Se é realismo, deixa de ser fenomenologia e vice-versa.
Nenhum dos programas de filosofia no ensino em Portugal, e sobretudo nenhum dos manuais de filosofia para o ensino secundário publicados, consegue dar uma definição geral e correcta de fenomenologia. O que prova que não são os pensadores profundos quem comanda o aparelho mediático e editorial da filosofia ensinável em Portugal.
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Publicado por f.limpo.queiroz às junho 7, 2008 02:02 PM