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abril 04, 2008
3 e 4 de Abril: Albino Almeida, Álvaro Almeida Santos, Manuel Marín Hidalgo, Juan Carlos Hidalgo, Rui Fidalgo
Em 3 e 4 de Abril de 2008, irrompem entes e acontecimentos cujos nomes e idiossincrasias evocam, aberta ou subliminarmente, as ideias e nomes de Almeida (Albino Almeida, Álvaro Almeida Santos) e de Hidalgo (Manuel Marín Hidalgo, Juan Carlos Hidalgo, Rui Fidalgo):
1) Em 4 de Abril, o telejornal da RTP emite imagens de Albino Almeida, presidente da CONFAP, um aglomerado de associações de pais de estudantes portugueses, que se revela preocupado com a "onda securitária nas escolas". Albino Almeida, escolhido pelo PS para defender a ministra de Educação e atacar os professores, tem visto a sua tarefa dificultada pela súbita irrupção de uma corrente de informação transversal: a que exalta as atitudes violentas de alguns alunos contra professores nas escolas, indo ao ponto de alguns irem armados de pistola, como denunciou o Procurador Geral da República, Pinto Monteiro.
2) Em 4 de Abril, Álvaro Almeida Santos, presidente do conselho das escolas é entrevistado no telejornal da RPP1 sobre o caso de armas nas mãos de alunos portugueses.
No blog www.reinodamacacada.blogspot.com colhe-se esta excelente análise sobre a degenerescência da escola pública em Portugal conduzida pelo governo PS de Sócrates:
Por força da sociedade de hiper-consumo os valores alteraram-se e nada garante que para melhor. O individualismo reina, o hedonismo e o narcisismo campeiam, o egoísmo tudo subverte. Tudo se compra e tudo se vende. As escolas não vão escapar à sanha devoradora de fazer dinheiro.
Portanto, a formação/educação vai tornar-se uma mercadoria como outra qualquer. E o desenvolvimento de empresas ligadas ao ensino está já a dar os passos iniciais. Já existem alguns grupos. A título de exemplo: o Grupo Fomento (ligado à Opus Dei - http://www.fomento.pt/) e o Grupo GPS (liderado pelo ex-deputado socialista António Calvete - http://www.gpssgps.pt/). Falta apenas alguma produção legislativa para se começarem a assenhorear das escolas públicas. Tal produção legislativa não deverá tardar muito, embora acredite que a sua concretização apenas venha a ocorrer com o início da próxima legislatura (2009-2013).
O sistema empresarial de ensino (que Georges Ritzer apodou de MacDonaldização) reger-se-á por quatro pilares fundamentais: um programa escolar determinado centralmente pelo ministério com particular ênfase sobre a matemática e língua materna, decisões operacionais colocadas a nível de escola, utilização de exames como forma de avaliação das performances, formação de professores de acordo com a nova filosofia. Alguns destes princípios já estão a ser postos em execução pelo ministério como forma de preparação do terreno para o futuro.
As escolas-empresa quando entrarem no terreno colocarão em prática os princípios estruturantes complementares do sistema: eficiência, rentabilidade, previsibilidade e controle. Como corolário deduz-se facilmente que os interesses administrativos/burocráticos e o “leitmotiv” da geração de mais valias prevalecerão sobre os pedagógicos.
Este sistema será implantado sob duas formas – a primeira em resultado da municipalização do sistema de ensino básico e a segunda por uma espécie de “ajuste directo” entre o Ministério e as empresas a ser aplicado no secundário. Talvez neste caso não se chegue à privatização total mas a formas de concessão, parcerias ou contratos de associação entre o Ministério e as empresas.
A primeira das formas a avançar será a municipalização do sistema, já prevista para 2008/2009. Depressa (se é que já não têm consciência disso) as Câmaras Municipais vão chegar à conclusão que não têm vocação, capacidade, meios técnicos e humanos para gerir com eficiência toda a enorme massa estrutural que lhes vai cair nos braços, com os seus problemas muito específicos e exigências muito próprias.
Daí a passarem a tarefa para “empresas especializadas” transferindo-lhes na totalidade (ou quase) as competências que o governo lhes delegará será um pequeno passo. E, também num futuro não muito distante vamos ver os programas curriculares (com excepção dos programas estruturantes de língua materna, matemática e língua estrangeira – inglês) serem decididos pelos grupos de cidadãos com interesses religiosos ou económicos ou outros. Naturalmente, nenhuma dessas empresas funcionará por “amor à causa” ou por caridade. O seu objectivo será a produção de mais valias – o lucro!
3) Em 3 de Abril, prosseguem na comarca de La Axarquía, Málaga, Espanha, as buscas do adolescente Manuel Marín Hidalgo, desaparecido há 3 dias.
4) Em 3 de Abril, o telediário de Canal Sur TV mostra imagens de Juan Carlos Hidalgo, do Sindicato do Ensino da UGT, criticando um erro da Junta de Andalucía.
5) Em 4 de Abril, o telejornal da RTP emite imagens de Rui Fidalgo, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e da Energia, a referir-se ao despedimento iminente de 400 trabalhadores da empresa Yazaki Saltano, em Gaia, norte de Portugal.
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Publicado por f.limpo.queiroz às abril 4, 2008 01:14 PM