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março 23, 2008
Subjectivismo e confusões de James Rachels (Confused Views of Rachels)
James Rachels define o sujectivismo ético da seguinte maneira:
«As pessoas têm opiniões diferentes, mas no que concerne à moral não há "factos", e ninguèm está "certo". As pessoas simplesmente sentem de forma diferente e é tudo.»
«Este é o pensamento de base por detrás do subjectivismo ético. O subjectivismo ético é a ideia segundo a qual as nossas opiniões morais se baseiam nos nossos sentimentos e nada mais. Nesta perspectiva, o "objectivamente" certo ou errado é coisa que não existe.»
(James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva, pags 56-57).
Rachels é, indiscutivelmente, um filósofo confuso, que nem sequer se apercebeu das múltiplas facetas do termo subjectivismo. Confusos são também os autores de manuais que o seguem quase à letra (Pedro Galvão, Luis Rodrigues, Desidério Murcho, etc). Rachels liga subjectivismo a cepticismo, fazendo com que a noção de subjectivismo desemboque no niilismo moral.
Mas por que razão não seria possível que as múltiplas subjectividades tivessem razão, em simultâneo, isto é, fossem formas de apropriação da verdade desde diversos ângulos? Porque há-de o subjectivismo conduzir inevitavelmente ao cepticismo?
É falso que não haja factos morais segundo o subjectivismo. Um exemplo de factos morais no subjectivismo é o amor: toda a gente ama alguém, é um facto sociologicamente objectivo e etica e esteticamente subjectivo. No amor, onde reina o mais absoluto subjectivismo, cada pessoa está convicta, a cada momento, de que ama a pessoa perfeita, a mais bela, ou a mais doce e sedutora ainda que seja imperfeita e com vícios evidentes. Ao contrário do que sustenta James Rachels e, com ele, as centenas de milhar de professores de filosofia que, irreflectidamente, o seguem, subjectivismo é compatível com dogma, com certeza "infalível" e pressupõe a existência de factos morais.
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Publicado por f.limpo.queiroz às março 23, 2008 09:36 AM