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junho 11, 2006

Zapatero e José Antonio, uma analogia «perversa»

José Luis Rodríguez Zapatero, nascido a 4 de Agosto de 1960 en Valladolid, actual presidente do governo espanhol, e José Antonio Primo de Rivera y Saénz de Heredia, nascido em 24 de Abril de 1903 em Madrid, o malogrado chefe da Falange das JONS, possuem entre si analogias posicionais-formais curiosas. Não se trata de analogias de fundo político - Zapatero é social-democrata, de esquerda, e José Antonio foi fascista, de extrema-direita - mas de analogias ontofonéticas e simbólico-ideais.

Ambos se vinculam com entidades ou acontecimentos que têm ou sugerem o nome Sol:

1) José Antonio dirigiu a Falange, cujo hino se intitula «Cara al sol».

2) José Luis Zapatero é casado com Sonsoles (evoca: Sol) Espinosa, professora de Música. Convidou para ministro das Finanças do seu governo empossado em Abril de 2004, Pedro Solbes (evoca: Sol).

Ambos descenderam de um militar cuja acção ficou gravada nas páginas da História de Espanha da primeira metade do século XX e que acabou injustiçado, e ambos revelaram uma esforço para limpar a sua memória:

1) José Antonio era filho do general Miguel Primo de Rivera que, de 15 de Setembro de 1923 a 30 Janeiro de 1930, governou em ditadura, a Espanha do rei Alfonso XIII. E como deputado da II República e chefe da Falange intentou fazer luzir a memória de seu pai, falecido no exílio, em Paris, em 16 de Março de 1930.

2) José Luis Zapatero é neto do capitão republicano Lozano, fuzilado pelos fascistas em Julho de 1936, no início do levantamento armado contra a II República. O seu afã de retirar estátuas de Franco, símbolos da ditadura anticomunista que asfixiou a Espanha de 1939 a 1975, exprime o desejo subliminar de reabilitar a memória do capitão Lozano e de centenas de milhar de republicanos, socialistas, comunistas e anarquistas mortos pela ditadura.

Ambos defrontaram um inimigo político cujo apelido sugere Asno, que teve 8 anos de acção política ao mais alto nível do Estado (um de 1931 a 1939; o outro de 1996 a 2004) e cujo rosto, com certa «fealdade», propicia que os inimigos o qualifiquem de «monstro»:

1) José Antonio Primo de Rivera opõs-se a Manuel Azaña (sugere, de certo modo: Asno ; Façanha que, em castelhano, se diz Hazaña), brilhante escritor republicano, a quem, pela «fealdade» do rosto, alguns classificavam de «monstro», primeiro ministro da II República de 19 de Fevereiro a 11 de Maio de 1936 e presidente da República a partir desta data.
Durante 8 anos, de 14 de Abril de 1931 a Fevereiro de 1939, Azaña ocupou, de forma descontínua, as mais altas funções no Estado espanhol.

2) José Luís Rodríguez Zapatero opôs-se, como deputado e líder do PSOE, a José María Aznar (evoca: Asno, Azaña), líder do PP e presidente do governo espanhol de Maio de 1996 a Abril de 2004, oito anos seguidos. A relativa «fealdade» do rosto de Aznar,fechado, gris, sugere alguma similaridade com o título de «monstro» atribuído, a Manuel Azaña pelo aspecto físico.

Ambos vinculam as suas vidas à data de 14 de Março de anos distintos como um virar de página decisivo nos seus destinos, dois ou três dias após um atentado relevante em Madrid:

1) Em 14 de Março de 1936, J.A. Primo de Rivera é preso em Madrid, juntamente com a quase totalidade da Junta Política da Falange das JONS, sob a acusação de posse ilícita de armas e de ruptura de selos judiciais colocados na sede da Falange na calle Nicasio Gallego número 21.
Dois dias antes, em 12 de Março, os falangistas Alberto Aníbal Martínez, Guillermo Aznar Jarner, José María Díaz Aguado e Alberto Ortega Arranz dispararam, de dentro de um automóvel, contra o deputado socialista Jiménez de Asua, que escapou ileso, à porta de sua casa, na calle Goya, de Madrid, e assassinaram o seu guarda-costas, o inspector de polícia Jesús Gisbert.

2) Em 14 de Março de 2004, José Luis Rodríguez Zapatero ascende ao púlpito da glória política com a vitória inesperada do PSOE nas eleições gerais legislativas em Espanha, destronando o PP de Aznar e Rajoy que governava desde 1996.
Três dias antes, em 11 de Março, mais de uma dezena de bombas explodiram em comboios da calle Télez e da estação de Atocha de Madrid e das estações de cercanias Santa Eugenia e Pozo del Tío Raimundo, causando 191 mortos e mais de 1.000 feridos, num atentado islamista em que o PP insiste ter estado «a mão invisível da ETA» e outros pensam que pode ter estado «a mão invisível da CIA, manipulando a Al-Qaeda».

Ambos conexionam o seu tempo de morte ou de ascensão política capital com um político ibérico cujo apelido lembra Duro (Buenaventura Durruti, Durão Barroso):

1) Em 20 de Novembro de 1936, Primo de Rivera é fuzilado na prisão de Alicante pelas autoridades republicanas e, em Madrid, onde o Exército Popular acaba de infligir uma derrota às tropas de Franco e Varela, uma bala fere mortalmente o líder anarquista leonês Buenaventura Durruti, perto do Hospital Clínico.
Pela lei da compensação, é provavel que se não fuzilassem Primo de Rivera, o destino não fulminasse Durruti...

2) Em Abril de 2004, Rodríguez Zapatero toma posse como presidente do governo espanhol e, três meses depois, em Julho de 2004, o português conservador Durão Barroso (DB: evoca Durruti, Buenaventura; Duro...) abandona o cargo de primeiro-ministro de Portugal e assume o de presidente da Comissão Europeia.

Ambos se vincularam, de uma maneira ou de outra, ao símbolo da Rosa:

1) Primo de Rivera escreveu, em 3 de Dezembro de 1935, no bar vasco Cueva del Or-kompon da calle Miguel Moya de Madrid, dois versos do hino da Falange: «Traerán prendidas cinco rosas/ las flechas de mi haz».
Obviamente, a rosa não parece um simbolo apropriado à extrema-direita mas cada um é livre de empregar as palavras a seu gosto...

2) Zapatero é líder, desde 2000, de um partido social-democrata, herdeiro de um PSOE híbrido de social-democracia e marxismo revolucionário, que usa a rosa como símbolo.


Sabemos que esta analogia entre Primo de Rivera e Zapatero que traçamos é «perversa». Desagradará à direita que odeia José Luis Zapatero, que se atreveu a destapar feridas da guerra civil que ainda perduram e a fazer justiça aos vencidos da bandeira da II República, tricolor, vermelha, amarela e roxa. Desagradará a alguma esquerda que não aprecia misturar a imagem do progressista Zapatero com a do reaccionário señorito Primo de Rivera.
Mas, em nome da ciência estruturalista da ontofonética, tivemos que desenhar este quadro.

f.limpo.queiroz@sapo.pt
(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)


Publicado por f.limpo.queiroz às junho 11, 2006 08:48 AM

Comentários

Amigo Limpo: en su post de hoy ha mencionado a dos de los tres mejores presidentes del Gobierno españoles del siglo XX (Primo de Rivera y J.M. Aznar) y también a los dos peores (Azaña y Zapatero). Por otro lado, nada tienen que ver los ojos oscuros, la mirada serena y fiable del asesinado José Antonio Primo de Rivera con los ojos glaucos, inquietantes de Zp, cuya sonrisa recuerda la del Joker de Jack Nicholson en Batman o la del mayordomo de Netol. Hablando de citas cinematográficas, la política exterior de Zapatero recuerda el film "The party", con Peter Sellers, "metiendo la pata" en todo momento.....

Publicado por: Filomeno em junho 11, 2006 10:23 AM


Zapatero, no vermelho do PSOE, tem os olhos azuis da esperança, do ideal da «aliança das civilizações»... Primo de Rivera tinha a camisa azul «que tu bordaste en rojo ayer»...

Publicado por: f.limpo. em junho 11, 2006 12:08 PM

El tema de la muerte el 20 de noviembre de Franco, Jose Antonio y Durruti (paisano de Zapatero, como Rodolfo Martin Villa) lo aborda también don Ismael Medina en Vistazoalaprensa.com

Publicado por: Filomeno em junho 11, 2006 01:16 PM

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