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fevereiro 17, 2006
Acreditar e saber são diferentes? (Crítica de Manuais Escolares-V)
Acreditar e saber são coisas distintas, como sustenta a generalidade dos manuais de Filosofia?
Se digo «acredito que o átomo existe» não é o mesmo que dizer «sei que o átomo existe»?
Alguns responderão: «Não! Saber é certeza e acreditar é incerteza.»
Respondo que há duas formas de acreditar, duas formas de crença: dogmática, como no caso das teses científicas (exemplo: «A fórmula do ácido sulfúrico é H2SO4») ou vivenciais directas (exemplo: « A exposição ao sol, em excesso, no verão, queima-me a pele descoberta»); não dogmática, probabilística (exemplo: « Vou jogar nos números 2, 17, 24, 35, 47 porque acredito poder ganhar, talvez, o euro-milhões hoje»).
Acreditar e saber só se distinguem, de forma circunstancial, se o acreditar designar esta ou aquela crença não dogmática, na probabilidade de algo ocorrer(exemplo: «Acredito que um dia os seres humanos serão imortais») e o saber fôr interpretado como algo de definitivo, dogmático, absolutamente certo (exemplo: «Sei que todos os seres humanos morrem, inexoravelmente»).
No resto, acreditar e saber é o mesmo. Quem acredita sabe sempre algo, duvidoso ou certo.
f.limpo.queiroz@sapo.pt
(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)
Publicado por f.limpo.queiroz às fevereiro 17, 2006 07:34 PM