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junho 13, 2005

13 de Junho: Fundão (Eugénio de Andrade, Cunhal)

Em 13 de Junho de 2005, emergem entes e acontecimentos cujos nomes ou histórias sugerem aberta ou subliminarmente a ideia de Fundão (Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal, vinculados ao Fundão):

1) Em 13 de Junho, de madrugada, morre no Porto, o poeta José Fontinha, conhecido como Eugénio de Andrade, nascido em Póvoa de Atalaia, Fundão, em 19 de Janeiro de 1923.

2) Em 13 de Junho, morre, de madrugada, Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido em Coimbra em 10 de Novembro de 1913, antigo dirigente reorganizador do PCP, que passou parte da infância na zona de Seia e do Fundão, donde seu pai Avelino Cunhal era originário.

Álvaro Cunhal, apesar da sua bravura pessoal e da sua inteligência política estratégica, não representou o proletariado, salvo num ou noutro momento, mas sim a semiburguesia marxista-leninista, classe composta por funcionários «comunistas», dirigentes sindicais, professores universitários stalinistas que governa o capitalismo de estado burocrático designado por «comunismo» que vigorou na URSS, Cuba, China, etc. Colaborou servilmente ao nível da propaganda com a burocracia soviética de Kruchev e Brejnev nas invasões militares da Hungria em 1956 e da Checoslováquia em 1968. Fez do PCP a quinta coluna da URSS em Portugal.

Em 25 de Novembro de 1975, Cunhal mandou recuar os militantes do PCP implicados no golpe radical pequeno-burguês dos paraquedistas de Tancos contra o VI governo provisório de Pinheiro de Azevedo em Portugal e deixou isolada a extrema-esquerda que contava com Varela Gomes, Duran Clemente, Costa Martins, o major Tomé e outros. Assim, evitou um banho de sangue e permitiu que Portugal deslizasse para a social-democracia e se integrasse na CEE. Traiu o proletariado nesse momento? Cremos que não. A extrema-esquerda hegemonizada pelos marxistas-leninistas da UDP ou pelos guevaristas do PRP e do MES não era, de facto, a cabeça real do proletariado mas sim um segmento da pequena burguesia radical e acabaria por isolar e fuzilar os autênticos comunistas, os libertários, se triunfasse em 25 de Novembro de 1975.

(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)


Publicado por f.limpo.queiroz às junho 13, 2005 06:27 PM