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abril 04, 2005

José Domingues dos Santos e Santana Lopes «contra a banca»

José Domingues dos Santos, nascido em Lavra, Matosinhos, em 8 de Maio de 1885, foi chefe de um breve governo republicano de esquerda na fase final da 1ª República Portuguesa (1910-1926) que deslizava para a direita autoritária ante a fragilidade do movimento operário e da pequena burguesia democrática.

A sua acção compara-se, em certa medida, à de Pedro Santana Lopes, nascido em Lisboa, em 29 de Junho de 1956, enquanto chefe de um governo PSD-CDS, liberal-conservador, de Julho de 2004 a Março de 2005.

Eis algumas coincidências interessantes entre os percursos de José Domingues dos Santos (evoca: santo, santana) e Pedro Santana ( sugere: Santos)Lopes:

Ambos adquirem grande preponderância política em anos terminados em 4 (1924, 2004).

1) Em 22 de Novembro de 1924, toma posse um governo republicano presidido por José Domingues dos Santos, líder da Esquerda Democrática, uma corrente política pequeno-burguesa que unindo os seus votos às oposições de direita havia derrubado no parlamento o governo de centro do Partido Republicano no dia 19 de Novembro.

2) Em 17 de Julho de 2004, toma posse o 16º governo constitucional da 3ª República Portuguesa, de base liberal-conservadora, PSD-CDS, chefiado por Pedro Santana Lopes.

Ambos intentaram uma acção limitadora dos lucros do capital financeiro e comercial e ambos cairam definitivamente no período 11-20 de Fevereiro de um dado ano:

1)Em Dezembro de 1924, o governo de José Domingues dos Santos reconhece personalidade jurídica aos sindicatos e uniões de sindicatos, facto inédito na República fundada em 1910. Em 6 de Fevereiro de 1925, o governo dissolve a Associação Comercial de Lisboa. Nesse dia, uma manifestação proletária de apoio ao governo ao dirigir-se para S.Bento, em Lisboa, é espingardeada pela GNR, após a explosão de um petardo,resultando alguns feridos.
José Domingues dos Santos discursa aos manifestantes e denuncia que «o povo tem sido explorado pelo alto comércio e pela alta finança».
Em 11 de Fevereiro de 1924, o governo de Domingues dos Santos, «canhoto», demasiado à esquerda para a burguesia, é derrubado no parlamento.


2) De Julho de 2004 a Novembro de 2004, o governo de Santana Lopes prescinde de alguns jornalistas como assessores, o que os torna acérrimos inimigos do primeiro-ministro, e toma uma medida que afecta o capital financeiro: decreta a subida do imposto sobre os lucros da banca de 5% para 15%. Isto suscita uma reacção adversa de João Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Bancos, e pouco, depois, em 30 de Novembro, o presidente da República, Jorge Sampaio destitui fulminantemente Santana Lopes de primeiro-ministro de Portugal. A derrota final do governo surge nas eleições legislativas de 20 de Fevereiro de 2005 que dão ao PS de José Sócrates o cálice de ouro do triunfo com maioria absoluta.

Tanto Domingues dos Santos como Santana Lopes tiveram, nas suas curtas governações, como grande inimigo político de apelido Silva, a eminência parda dos partidos donde provinham:

1) António Maria da Silva, ex primeiro ministro e grande figura do PRP, demarcou-se de Domingues dos Santos e contribuiu para a sua queda.

2) Aníbal Cavaco Silva, ex primeiro ministro e grande figura do PSD, demarcou-se de Santana Lopes e contribuiu para a sua queda.

consultar também

www.astrologia.blogs.sapo.pt

(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

Publicado por f.limpo.queiroz às abril 4, 2005 06:36 PM