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abril 03, 2005
A morte de 2 papas no espaço de 13 dias
Há mistérios que nunca se abrirão aos vitrais da luz racionalizadora. Dois papas de igrejas que se reclamam católicas tomaram posse no ano de 1978:
1) Em 15 de Agosto de 1978, nove dias após a morte do papa Paulo VI em Roma,na pequena aldeia sevillana de El Palmar de Troya, Utrera, sul de Espanha, o estigmatizado cego Clemente Dominguez y Gómez, antigo contabilista da ordem de San Juan de Dios de Sevilha, ordenado bispo à revelia do Vaticano em 11 de Janeiro de 1976 por um arcebispo vietnamita anticomunista, é coroado papa da igreja católica palmariana, com o nome de Gregório XVII. Supostamente, sucede a Paulo VI visto que a Cúria Romana ou cabeça da Igreja Católica oficial estaria «infiltrada de maçons e comunistas» que instalariam o domínio do «Anticristo», a «adulteração da missa», «a comunhão de pé e na mão»,etc. Seriam as supostas mensagens da Virgem Maria, de Jesus Cristo e do padre Pio, recebidas no descampado de estranhas aparições em El Palmar entre 1969 e 1978, que levariam Clemente a «transladar a Santa Sé Apostólica de Roma à pequena aldeia sevilhana, a nova Roma».
2) Em 22 de Outubro de 1978, seis dias depois de ser eleito pelo conclave dos cardeais em Roma, o cardeal polaco Karol Wojtila, arcebispo de Cracóvia, é entronizado como papa da Igreja Católica Romana com o nome de João Paulo II.
Segundo a opinião do senso comum, difundida pelos mass media, Gregório XVII de Palmar de Troya era um «falso papa», que canonizou em 24 de Setembro de 1978 o ditador Francisco Franco Bahamonde e o chefe do partido fascista espanhol José António Primo de Rivera e apostrofrou a democracia liberal contemporânea defendendo o regresso a ditaduras católico-fascistas, não nazis. E João Paulo II seria o «verdadeiro papa católico» apesar das inflexões políticas e doutrinais que imprimiu na barca da Igreja Católica como por exemplo, o abandono da teoria de que «fora da Igreja Católica Romana não há salvação» e a celebração de cerimónias de oração inter-religiosas como o encontro ecuménico de Assis em 27 de Outubro de 1986 com líderes do protestantismo, budismo, hinduísmo, xintoísmo, religiões animistas africanas e índias e outras.
Quem é o verdadeiro papa católico, na essência, entre estes dois? Não nos compete a nós, que estamos fora de qualquer igreja, emitir um veredicto. Um, Clemente, manteve o ritualismo católico do Concílio de Trento mais ou menos inalterado.O outro, Wojtila, continuou o movimento de centragem politica da Igreja católica romana, levando-a a demarcar-se de ditaduras fascistas tradicionais como a de Pinochet no Chile e a de Marcos nas Filipinas e contribuindo grandemente para a derrocada, entre 1988 e 1992, do capitalismo de estado marxista-leninista que dominava a URSS e o leste europeu.
Curioso é o sincronismo entre os seus pontificados de 26 anos cada ( 26 é na gematria judaica um número que exprime Deus, HWVW.) Ambos tomaram posse ente Agosto e final de Outubro de 1978, ambos morreram entre meados de Março e inícios de Abril de 2005:
1) Em 20 de Março de 2005, ajoelhado no altar da Basílica de El Palmar de Troya, o papa Gregório XVII sofre um acidente vascular cerebral, pelas 18.20 horas, durante a missa tradicional que celebra de costas voltadas ao escasso público de fiéis tradicionalistas. Transportado ao hospital de Sevilha, morrerá às 3.30 horas do dia 21 de Março, aos 58 anos de idade. Nascera em 23 de Abril de 1946, em Sevilha.
2) Em 2 de Abril de 2005, o papa João Paulo II morre, às 20.37 horas de Lisboa, aos 84 anos de idade, nos seus aposentos no Vaticano, ao cabo de dois dias de agonia. Nascera em Vadowice na Polónia em 18 de Maio de 1920.
Pode-se dizer que a minúscula Igreja de Palmar de Troya se antecipou por duas vezes à gigantesca Igreja de Roma: em 1978 erguendo um papa antes de Roma entronizar João Paulo I e João Paulo II; em 2005, «extinguindo» um papa antes de em Roma ocorrer o mesmo.
Interessante é constatar que a diferença em dias entre as datas de morte do papa franquista e contrarrevolucionário Gregório XVII que se intitulava de acordo com a profecia de Malaquias «De Gloria Oliva» (Da Glória da Oliveira) - a Andaluzia, onde se situa El Palmar, é a região das oliveiras - e o papa liberal, humanista e ecuménico João Paulo II - o seu nome Karol Wojtila pela temura ou troca cabalística de letras dá Klora Oliwa jt, sugerindo Gloria Oliva - é ... 13 dias, ou seja, a diferença entre o calendário juliano da igreja ortodoxa e o calendário gregoriano da igreja católica.
É sabido que o culto litúrgico da igreja ortodoxa russa - de que as cerimónias do Palmar talvez se aproximem pela beleza solene - é, na opinião de conhecedores, o mais belo do mundo, no quadro das igrejas cristãs, tentando recriar o céu na terra no interior das igrejas. Representaria o papa Clemente do Palmar, que na sua singular teologia estava «predestinado a entrar em Moscovo à frente de um exército católico esmagando a besta comunista», esta tendência bizantina, ortodoxa russa, hierática, do culto por oposição à humanização e relativa informalização da missa protagonizada pelo papa João Paulo II?
consultar também:
www.astrologia.blogs.sapo.pt
www.astrologiahispanica.blogspot.com
(Direitos de autor reservados para Francisco Limpo de Faria Queiroz)
Publicado por f.limpo.queiroz às abril 3, 2005 03:10 PM