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janeiro 08, 2005

Sousa Franco e o Santo Nome de Deus

Em 7 de Junho de 2004, num comício do PS em Aveiro, terra de pescadores e armadores,o candidato ao parlamento europeu António Luciano Sousa Franco, atacou o seu concorrente directo, João de Deus Pinheiro, cabeça de lista do PSD com frases como: «O PSD quer estar com Deus na Europa e com o Diabo em Portugal..Nesta coligação é Deus que dá a cara...»

Dois dias depois, em 9 de Junho, o candidato António Sousa Franco é apertado entre duas ondas de militantes socialistas na lota de Matosinhos, terra de pescadores e armadores, uma afecta a Narciso de Miranda e outra a Manuel Seabra ( nome sugestivo de: Emanuel, ou seja Deus connosco, se abra...). Recolhe ao automóvel, emocionado, e aí sofre um ataque cardíaco que lhe dita a morte minutos depois.

A religião judaico-cristã tem como um dos seus mandamentos «Não invocar o Santo Nome de Deus em vão». Ora, aparentemente, Sousa Franco, católico progressista, invocou no comício de Aveiro o nome de Deus (o Altíssimo) para ironizar com o seu adversário João de Deus Pinheiro.

Várias hipóteses se podem estruturar para explicar esta estranha morte, a três dias das eleições europeias. Destaquemos duas:

1) Um Deus existe mesmo - ou pelo menos o Deus Iavé, justiceiro -e decidiu punir Sousa Franco por ter ventilado o Seu Nome de forma irreverente.

2) Deus não existe - ou existe mas permanece indiferente às acções humanas - e Sousa Franco morreu pela conjugação dos seus problemas cardiovasculares activados em Matosinhos e agravados por um suposto remorso subjectivo pelo que disse em Aveiro. Neste caso, Sousa Franco ter-se-ia auto-punido.

É óbvio que isto são especulações...mas quem pode garantir que uma delas não contenha a verdade?

Os dois factos entre os quais estabelecemos esta metafísica conexão deram-se em terras de pescadores e o símbolo do cristianismo primitivo em Roma era.. o peixe.


Por outro lado, de 9 a 13 de Junho de 2004, verificou-se uma derrota política ou biológica para um candidato ao parlamento europeu ligado por uma particularidade física à ideia de Orelha:

A) Em 9 de Junho, António Sousa Franco, que tinha um defeito na configuração das orelhas, faleceu.

B) Em 13 de Junho, o candidato cabeça de lista do PP espanhol Jaime Mayor Oreja (Orelha, em português) foi menos votado na eleição europeia do que o candidato socialista Josep Borrel.

A História escreve-se, não apenas com actos objectivos, materiais, políticos e sociais, mas também com palavras, estados de espírito religiosos, arreligiosos e antirreligiosos. Apesar de libertário, tenho a intuição de que há Deus, um supremo Arquitecto que paira acima de todos os deuses de raças e civilizações. Perdemos a guerra civil de Espanha em 1937-1939 - refiro-me aos anarquistas da CNT-FAI - também porque queimamos igrejas, profanámos túmulos e executamos sacerdotes, frades e bispos, quando os podíamos ter deixado em paz ou enviado para a zona da contra-revolução franquista. Intuímos Deus na humanidade pobre e oprimida, no proletariado, o que está absolutamente certo, mas não captamos a outra parte de Deus que se move na esfera do Transcendente «irreal». O marxismo e o anarco-sindicalismo enquanto ideologias «ateias» não servem o proletariado, o qual é infinitamente mais subtil do que a negação da transcendência divina proposta pela burguesia positivista.

(consultar também http://astrologia.blogs.sapo.pt)

(Todos os direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

Publicado por f.limpo.queiroz às janeiro 8, 2005 10:13 PM